24 de nov de 2006

A. B. C. D de menor


O adolescente M., 17 anos, disse que o tiro na cabeça foi um acidente, porque estava muito nervoso, e não teve a intenção de matar.

O "acidente" não teria acontecido se M. estivesse onde deveria estar, atrás das grades.

A filha não teria presenciado a morte da mãe se M. fosse apenas alguns meses mais velho.

A vítima não teria tido a cabeça estourada se o juiz da 2ª Vara da Infância e Juventude não tivesse marcado a audiência para depois de suas férias, em janeiro.

Na audiência M. responderia pelo assalto anterior, onde chegou a ser preso depois de roubar um mp3 player, sem o qual não consegue viver.

Não consegue viver sem o celular, a bolsa e o rélogio que a vítima demorou a entregar, fato que deixou M. nervoso a ponto de estourar-lhe a cabeça.

Mas o que M. realmente não consegue viver é sem uma lei caduca que o ampare por ser um indivíduo com o desenvolvimento intelectual incompleto e lhe garante o direto de andar pelas ruas do Leblon, noiado de pó, com seus amigos a cata de bens materiais indispensáveis a formação do seu caráter.

E ainda tem gente que é contra trabalho, principalmente juvenil. Segundo essas pessoas, o lugar de M. não é no trabalho, isso é exploração infantil.

Seu lugar é na escola, no caso "escola da vida", de onde até presidente saiu.

12 bestaram:

Serjão disse...

Coisa inadimissível, este crime.

mas morreram outros dois pais de família esta noite.

E vão morrer mais.

Vc é do RJ?

Se não é vc não imagina como está esta cidade.

Abs

Jorge Sobesta disse...

Serjão,

Sou de Belo Horizonte mas trabalhei aí por um ano. Faço uma idea de como deve estar.
Aqui também tá osso,estamos entregues as baratas enquanto a bandidagem curte a doidado.

Um abraço.

Ricardo Rayol disse...

Isso é uma das bizarrices da justissia. Deviam baixar, e muito, a maioridade legal ou ainda em casos como esse o sujeito ser julgado como adulto. E ainda por cima está dando o maior rolo pois o que era não era etc... Mas interessante como em horas prenderam o culpado não?

Walter Carrilho disse...

Tadinho...ele só queria um mp3. E a sem vergonha não quis entregar? Que sacanagem...Um tiro na cabeça, só? Foi sem querer, lógico...foi a arma que disparou sozinha...

David disse...

Entrega na cadeia e espalha que é estuprador....

José Alberto Mostardinha disse...

Viva Jorge:

Genial, a redacção está perfeita e com muito bom gosto.
O raciocínio é também o correcto.
Esses jovens precisam que se faça algo para que a sociedade não sofra com o seu comportamento delinquente.
Passa uum óptimo fim de semana.

Um abraço,

Jorge Sobesta disse...

Ricardo,

O problema é que se julgar um menor como adulto no Brasil, vão chamar os Direitos Humanos, Anistia Internacional , Green Peace, Bono Vox e afins. Gente que não sabe onde está dando pitaco. Garanto que o M. tem mais maturidade do que eu que sou quarentão.

Walter,

no caso, nervoso é noiado de pó. E noiado nóia, como o prório nome diz.

Kafé Roceiro disse...

O problema todo é que ele como "menor" não vai ser preso, vai ser tomada uma "Medida de Segurança" e o máximo que ele irá ficar preso são três pequenos e curtos anos onde ele já se aperfeiçoou no crime e será solto pra fazer Mestrado nas ruas. Só Brasil, mesmo! Amigo!

marconi leal disse...

O pior de tudo é que, segundo fontes que não revelo, ele queria o aparelho para escutar música sertaneja!

CrissMyAss disse...

Dá-lhe, Sobesta!

José Alberto Mostardinha disse...

Viva Jorge:

Uma boa semana para ti.
Um abraço,

marcox disse...

tas recrutado para um novo desafio no kachiba!